Mozambique LNG, Coral Norte e Rovuma LNG: calendário, parceiros e quem compra

Os fornecedores planeiam em função de datas e de quem detém os contratos. Esta página reúne os três projectos, os seus parceiros, os contratos adjudicados até agora e os próximos marcos, com a data de cada declaração, para que uma previsão não seja lida como um facto.

Publicado em 18 de outubro de 2026Actualizado em 19 de outubro de 20267 min de leituraRevisão técnica: Dércio da Barca, Managing Partner

Mozambique LNG (Área 1): reiniciado em Janeiro de 2026, primeiro LNG previsto para 2029

O Mozambique LNG é a fábrica em terra na península de Afungi desenvolvida pelo consórcio da Área 1. A TotalEnergies opera com 26,5%; a Mitsui detém 20%, a empresa estatal ENH 15%, e ONGC Videsh, Bharat PetroResources, Oil India e PTTEP detêm o restante. O projecto foi aprovado em 2019, suspenso por força maior declarada em Abril de 2021 após o ataque a Palma iniciado a 24 de Março de 2021, e formalmente reiniciado a 29 de Janeiro de 2026 depois de o consórcio ter levantado a força maior em Novembro de 2025.

  • Progresso: o comunicado de reinício do operador, de 29 de Janeiro de 2026, situou o progresso do projecto em 40% nessa data e afirma que quase toda a engenharia e a aquisição dos equipamentos principais foram executadas durante o período de força maior. A Bharat PetroResources, parceira do projecto, divulgou entretanto um progresso de cerca de 42% no seu reporte do exercício 2025-26.
  • Força de trabalho: mais de 4.000 trabalhadores mobilizados no reinício, mais de 3.000 dos quais moçambicanos (mesmo comunicado).
  • Despesa local: o comunicado afirma que os contratos adjudicados a empresas moçambicanas deverão ascender a mais de 4 mil milhões de dólares ao longo do projecto. É uma previsão do total, não um valor já pago.
  • Custo e calendário: investimento amplamente reportado em cerca de 20 mil milhões de dólares, com custos adicionais da suspensão em discussão entre as partes; o primeiro LNG é previsto para 2029 segundo o operador, com alguns analistas a apontar 2030.
  • Financiamento: o US Export-Import Bank reaprovou o seu empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares em Março de 2025; outras agências de crédito à exportação e financiadores estão a regressar.

O contrato de EPC em terra pertence à joint venture CCS, de Saipem (líder), McDermott e Chiyoda, adjudicado em 2019; a Siemens Energy fornece turbinas a gás e compressores de boil-off. Os trabalhos de instalação offshore foram retomados no início de 2026. É de esperar que as compras se concentrem em serviços de construção, acampamentos de obra e logística, pré-comissionamento e comissionamento, e mais tarde na longa sequência de contratos de manutenção após o arranque.

Coral Sul e Coral Norte (Área 4 offshore): o projecto em produção e o seu gémeo

O Coral Sul é o único projecto de LNG em produção em Moçambique: uma unidade flutuante de 3,4 mtpa operada pela Eni que expediu a primeira carga em Novembro de 2022. O Coral Norte é o seu gémeo, uma unidade de 3,6 mtpa aprovada em 2025; o casco foi lançado em Geoje, na Coreia do Sul, em Janeiro de 2026. A 8 de Junho de 2026 a JGC e a Technip Energies anunciaram o contrato de engenharia, aquisições, construção, instalação e comissionamento, com a Samsung Heavy Industries, valendo mais de mil milhões de euros só para a Technip Energies. O primeiro gás está previsto para o segundo semestre de 2028.

A Área 4 é detida pela Mozambique Rovuma Venture (Eni, ExxonMobil e CNPC) com 70%, e pela XRG (o braço internacional da ADNOC), KOGAS e ENH com 10% cada. Como a maior parte do trabalho de uma unidade flutuante acontece em estaleiros coreanos e europeus, as oportunidades locais concentram-se em logística marítima, apoio offshore, catering, serviços de pessoal e na base de apoio de Pemba.

Rovuma LNG (Área 4 em terra): o maior, ainda antes da decisão de investimento

O Rovuma LNG é o desenvolvimento em terra do gás da Área 4, liderado pela ExxonMobil em nome dos parceiros. O desenho usa 12 módulos de liquefacção para 18,6 milhões de toneladas de LNG por ano, com um investimento reportado entre 20 e 30 mil milhões de dólares. A ExxonMobil levantou a força maior a 20 de Novembro de 2025 e afirma que os parceiros progridem para uma decisão final de investimento em 2026, com arranque previsto para 2031. Em Outubro de 2026 não tinha sido anunciada decisão final de investimento.

  • Midstream (fábrica em terra): a 10 de Agosto de 2026 a ExxonMobil anunciou uma carta de intenções à joint venture SMDC, de Saipem, McDermott Energy Solutions (UK), Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para serviços limitados de engenharia e aquisições da Fase 1. O comunicado da Saipem, de 7 de Agosto de 2026, descreve a mesma carta de intenções para trabalhos preliminares, com a adjudicação final condicionada à decisão de investimento e às aprovações. Ainda não é um contrato de EPC completo.
  • Equipamento upstream de longo prazo de entrega: a 17 de Agosto de 2026 os parceiros da Área 4 adjudicaram cerca de 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento, o maior à OneSubsea (sistemas de produção subsea, controlos e umbilicais) com apoio local da Aker Solutions Mozambique, além da Advanced Technology Valve (válvulas de grande diâmetro), Corinth Pipeworks e Sumitomo Corporation of America (tubagem) e Zhejiang Jiuli (tubagem revestida e curvas).
  • Upstream e shorebase: a 10 de Setembro de 2026 a ExxonMobil assinou uma carta de intenções com o consórcio Saipem e Jan De Nul para engenharia, aquisições e serviços técnicos upstream (18 poços, condutas e manifolds subsea), e adjudicou contratos de shorebase a duas empresas de capital moçambicano: CFML Logistic SA (serviços de terrenos e infra-estruturas no Pemba Bulk Terminal) e Alistair Group Mozambique (logística de shorebase). O comunicado estima em cerca de 6 mil milhões de dólares a actividade económica do projecto em Moçambique e em cerca de 7.500 as oportunidades para moçambicanos durante a construção.
  • Obras iniciais de infra-estrutura: contrato de 178 milhões de euros ao consórcio Mota-Engil e Bonatti, reportado em Setembro de 2026.
  • O que a decisão desbloquearia: a adjudicação do EPC completo, a expansão dos acampamentos em Afungi, o transporte e instalação de módulos, obras portuárias e rodoviárias, e a segunda grande vaga de compras em Cabo Delgado.

Quem compra o quê: operadores, EPCs e os níveis abaixo

CompradorCompra tipicamenteComo os fornecedores entram
Operadores (TotalEnergies, Eni, ExxonMobil)Serviços de perfuração e subsea, logística marítima, segurança, acampamentos, engenharia especializada, manutenção de longo prazoRegisto e pré-qualificação no portal do operador; entidade moçambicana e evidência de conteúdo local cada vez mais exigidas
EPCs (CCS JV; SMDC JV e Saipem-Jan De Nul quando adjudicadas; Technip Energies, JGC e Samsung Heavy; Mota-Engil e Bonatti)Obras civis, fabricação, andaimes, electricidade e instrumentação, aluguer de equipamento, transporte, inspecção, mão-de-obraConvites a concurso por pacote; um parceiro local é muitas vezes necessário nas categorias dos regimes de preferência e exclusividade da Lei de Conteúdo Local
Empreiteiros de segundo nível e empresas de serviçosMateriais, consumíveis, catering, limpeza, EPI, pequenas obras, TI e telecomunicaçõesCotações directas; a rapidez de mobilização e a documentação decidem

Em todos os níveis as perguntas são as mesmas: está registado em Moçambique, é pessoa moçambicana ou preferente nos termos da Lei de Conteúdo Local, consegue facturar localmente com IVA, consegue colocar pessoal em conformidade em obra rapidamente, e consegue prová-lo em papel. O resto desta série cobre cada um destes pontos.

Marcos a acompanhar daqui até 2031

QuandoMarcoPorque importa aos fornecedores
2026 (meta)Decisão final de investimento do Rovuma LNGDesencadearia a maior vaga de compras desde 2019
2026 a 2027Pico de construção do Mozambique LNGMaior procura de serviços de construção, acampamentos de obra e logística
Segundo semestre de 2028 (plano)Primeiro gás do Coral NortePassagem de despesa de construção para operação offshore
2029 (previsto)Primeira carga do Mozambique LNGInício dos contratos de operação e manutenção de longo prazo
2031 (previsto)Arranque do Rovuma LNGSegunda base de operações em Afungi

Perguntas frequentes

O Rovuma LNG já tomou a decisão final de investimento?

Não, à data de Outubro de 2026. A ExxonMobil levantou a força maior em Novembro de 2025, emitiu em Agosto de 2026 uma carta de intenções para serviços limitados de engenharia e aquisições, e declara a meta de decidir durante 2026.

Quando é que o Mozambique LNG produz a primeira carga?

O operador prevê o primeiro LNG em 2029. O progresso do projecto foi reportado em 40% quando a construção foi totalmente retomada a 29 de Janeiro de 2026.

Que empresas detêm os principais contratos de construção?

Mozambique LNG em terra: a joint venture CCS, de Saipem, McDermott e Chiyoda. Coral Norte: Technip Energies com JGC e Samsung Heavy Industries, adjudicado em Junho de 2026. Rovuma LNG: cartas de intenções à joint venture SMDC (Saipem, McDermott, Daewoo E&C, CPECC) para a fábrica em terra e à Saipem-Jan De Nul para o âmbito upstream, cerca de 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento para equipamento subsea, contratos de shorebase com a CFML Logistic e a Alistair Group, e obras iniciais com Mota-Engil e Bonatti; as adjudicações de EPC completas dependem da decisão de investimento.

Fontes

  1. TotalEnergies: Mozambique LNG anuncia o reinício total das suas actividades (29 Janeiro 2026)
  2. JGC: contrato EPCIC para o projecto Coral Norte FLNG (8 Junho 2026)
  3. Technip Energies: contrato para o projecto Coral Norte
  4. ExxonMobil em Moçambique: carta de intenções à joint venture SMDC para o Rovuma LNG (10 Agosto 2026)
  5. Saipem: carta de intenções para o projecto Rovuma LNG em terra (7 Agosto 2026)
  6. ExxonMobil em Moçambique: mais de mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento para o Rovuma LNG (17 Agosto 2026)
  7. ExxonMobil em Moçambique: selecção do EPCI upstream e prestadores de shorebase (10 Setembro 2026)
  8. TotalEnergies: resposta sobre o Mozambique LNG (ataque a Palma a partir de 24 de Março de 2021)
  9. Bharat PetroResources: progresso do projecto de cerca de 42% (exercício 2025-26)

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